PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O PAPA BENTO XVI APRESENTA A SUA RENÚNCIA



Foi com surpresa, incredulidade e estupefacção que os católicos e o mundo tomaram conhecimento, no dia 11 de Fevereiro de 2013, da decisão de resignar, tomada pelo Papa Bento XVI. Não sendo um caso inédito da História da Igreja, tal não acontecia há quase 600 anos. Para a validade da renúncia do Papa – de acordo com o cân. 332 § 2. – esta deve ser feita livremente e devidamente manifestada. Lembramos as palavras de Bento XVI, na sua comunicação ao Consistório, à Igreja e ao mundo: “…Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste acto, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais, em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice…” Este Papa, na sua simplicidade, profundidade de pensamento, frontalidade de mensagem, clareza no anúncio do Evangelho, tornou-se um marco incontornável da história do mundo. Respondendo ao seu apelo, os cristãos católicos devem rezar pelo Papa e por aquele que será o escolhido para ocupar a “Cadeira de Pedro”. De acordo com as notícias, o Conclave – reunião dos cardeais para escolherem o papa – reunir-se-á a partir do dia 15 de Março. Viva o Papa!...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

INÍCIO DA QUARESMA



QUARTA-FEIRA DE CINZAS

“…Iniciamos o tempo litúrgico da Quaresma com o rito sugestivo da imposição das cinzas, através do qual queremos assumir o compromisso de converter o nosso coração para os horizontes da Graça. Em geral, na opinião comum, este tempo corre o risco de ser conotado pela tristeza, pela desolação da vida. Ao contrário, ela é dom precioso de Deus, é tempo forte e denso de significados no caminho da Igreja, é o itinerário rumo à Páscoa do Senhor… O período quaresmal propõe-nos(…)um caminho de quarenta dias durante os quais deveríamos experimentar, de modo eficaz, o amor misericordioso de Deus. Continua a ressoar para nós o apelo: «Convertei-vos a Mim de todo o vosso coração». Hoje, quem é chamado a converter o coração a Deus somos nós, sempre conscientes de não poder realizar a nossa conversão sozinhos, unicamente com as nossas forças, porque é Deus quem nos converte. Ele oferece-nos o seu perdão, convidando-nos a voltar para Ele para que nos dê um coração novo, purificado do mal que o oprime, para fazer com que participemos da sua glória. O nosso mundo precisa de ser convertido por Deus, tem necessidade do seu perdão, do seu amor, precisa de um coração novo…
…Iniciemos confiantes o itinerário quaresmal. Quarenta dias separam-nos da Páscoa. Este tempo «forte» do ano litúrgico é um tempo propício que nos é dado para corresponder, com maior empenho, à nossa conversão, para intensificar a escuta da Palavra de Deus, a oração e a penitência, abrindo o coração à aceitação dócil da vontade divina, para uma prática mais generosa da mortificação, graças à qual ir mais amplamente em ajuda do próximo necessitado: um itinerário espiritual que nos prepara para reviver o Mistério pascal…”
(Homilia do Papa Bento XVI, na Missa de 4º feira de cinzas de 2011)

PALAVRAS DO PAPA



- na Audiência geral, 6 de Fevereiro, Roma

“…No Credo, confessamos que Deus é o «criador do céu e da terra», como se lê no Génesis. Deus cria através da sua palavra: a vida surge, porque tudo obedece à Palavra divina. No vértice da criação, aparece o homem e a mulher: formados do pó da terra, possuem o sopro vital de Deus, e cada vida humana está sob a sua protecção. Esta é a razão mais profunda da inviolabilidade da dignidade humana. Viver na fé quer dizer reconhecer a grandeza de Deus e aceitar a nossa condição de criaturas. Por vezes, somos tentados a ver esta dependência do amor criador de Deus como um peso do qual libertar-se. Mas, indo contra o seu Criador, o ser humano renega a sua origem e a sua verdade, e o mal entra no mundo com a sua penosa cadeia de sofrimentos e morte. E, sozinhos, não podemos sair dela… As justas relações só podem ser reatadas, se Aquele, de quem nos afastamos, vier até nós e nos estender a mão. É o que faz Cristo! Percorre o caminho do amor, humilhando-Se até à morte de Cruz, para repor em ordem as nossas relações com Deus e com os outros. A Cruz torna-se a nova árvore da vida…”

ANO DA FÉ

 - Educar para a Fé
Na Igreja Matriz de Santa Maria da Feira, sob proposta da Assessoria Vicarial da Pastoral Familiar, realizou-se, no dia 8 de Fevereiro, um encontro de formação ( o último de três programados: São Jorge, Santa Maria de Lamas ) com o tema: Educar para a fé. Como já havíamos informado, orientou este trabalho o Dr. Daniel Bastos, Diácono permanente da Paróquia de Matosinhos e psicólogo de profissão. Estiveram presentes numerosos casais que, no espaço do diálogo, interpelaram o conferencista acerca dos desafios da educação da fé, num mundo tão marcadamente secularista. O encontro teve, também, momentos de carácter artístico - cultural, animados pela Mafalda Campos e pelo João Carlos Soares que tocaram e cantaram para admiração e deleite dos participantes. Um abrigado sincero pela disponibilidade de todos os intervenientes.


  - Formação de catequistas

 
Por propostas dos Secretariados Paroquiais da Catequese das Paróquias de Escapães e Santa Maria da Feira (pólo da Igreja Matriz), realizou-se, no dia 9 de Fevereiro, na Casa do Povo de Santa Maria da Feira, um encontro de formação, com o tema: “Revitalizar e professar a fé: conhecer a proposta da ‘Porta da Fé’…” As paróquias mobilizaram os seus catequistas, que estiveram presentes, em grande número. O trabalho foi orientado pelo pároco de ambas as paróquias.

 



- Bento XVI, na mensagem para a Quaresma 2013

“… A fé como resposta ao amor de Deus
Na minha primeira Encíclica, deixei já alguns elementos que permitem individuar a estreita ligação entre estas duas virtudes teologais: a fé e a caridade. Partindo duma afirmação fundamental do apóstolo João: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4, 16), recordava que, «no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (...) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um “mandamento”, mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro» (Deus caritas est, 1). A fé constitui aquela adesão pessoal – que engloba todas as nossas faculdades - à revelação do amor gratuito e «apaixonado» que Deus tem por nós e que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. O encontro com Deus Amor envolve não só o coração, mas também o intelecto: «O reconhecimento do Deus vivo é um caminho para o amor, e o sim da nossa vontade à d’Ele une intelecto, vontade e sentimento no acto globalizante do amor. Mas isto é um processo que permanece continuamente a caminho: o amor nunca está "concluído" e completado» (ibid., 17). Daqui deriva, para todos os cristãos e em particular para os «agentes da caridade», a necessidade da fé, daquele «encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra o seu íntimo ao outro, de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja um mandamento por assim dizer imposto de fora, mas uma consequência resultante da sua fé que se torna operativa pelo amor» (ibid., 31). O cristão é uma pessoa conquistada pelo amor de Cristo e, movido por este amor - «caritas Christi urget nos» (2 Cor 5, 14) -, está aberto de modo profundo e concreto ao amor do próximo (cf. ibid., 33). Esta atitude nasce, antes de tudo, da consciência de ser amados, perdoados e mesmo servidos pelo Senhor, que Se inclina para lavar os pés dos Apóstolos e Se oferece a Si mesmo na cruz para atrair a humanidade ao amor de Deus. «A fé mostra-nos o Deus que entregou o seu Filho por nós e assim gera em nós a certeza vitoriosa de que isto é mesmo verdade: Deus é amor! (...) A fé, que toma consciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na cruz, suscita por sua vez o amor. Aquele amor divino é a luz – fundamentalmente, a única – que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem de viver e agir» (ibid., 39). Tudo isto nos faz compreender como o procedimento principal que distingue os cristãos é precisamente «o amor fundado sobre a fé e por ela plasmado»…”

PARA REZAR

SALMO 138

Dou-te graças, Senhor, de todo o coração,
na presença dos poderosos te hei-de louvar.
Inclino-me voltado para o teu santo templo
e louvarei o teu nome,
pela tua bondade e pela tua fidelidade,
porque foste mais além das tuas promessas.
Quando te invoquei, atendeste-me
e aumentaste as forças da minha alma.
Todos os reis da terra te louvarão, Senhor,
ao ouvirem as palavras da tua boca.
Celebrarão os caminhos do Senhor,
pois grande é a sua glória.
O Senhor é excelso, mas repara no humilde
e reconhece de longe o soberbo.
Quando estou em angústia, conservas-me a vida;
estendes a mão contra a ira dos meus inimigos,
e a tua mão direita me salva.
O Senhor tudo fará por mim!
Ó Senhor, o teu amor é eterno!
Não abandones a obra das tuas mãos!

SANTOS POPULARES



SÃO VALENTIM

Valentim foi um sacerdote romano, no tempo do imperador Cláudio II. Embora este imperador não perseguisse abertamente a religião cristã, muitos cristãos sofreram o martírio pela intolerância e exigências de certos governadores, a quem Cláudio deixava toda a liberdade de agir. Assim aconteceu com Valentim. Tendo sido acusado do crime de ser cristão e sacerdote, foi levado à presença do imperador. A franqueza e a frontalidade com que este servo de Cristo se defendeu agradaram a Cláudio que, com muito interesse, lhe ouviu as exposições da doutrina cristã. Entretanto, Valentim permaneceu sob as ordens do governador Calpúrnio que o entregou ao juiz Astério. Este, propondo-se convencer Valentim da inutilidade e irrelevância da religião de Cristo, levou-o para a sua própria casa. Ao entrar na residência deste magistrado, Valentim pôs-se de joelhos e pediu a Deus que desse aos habitantes daquela casa o conhecimento da luz verdadeira. Astério ouvindo Valentim a falar em luz e não compreendendo o sentido em que empregava este termo, disse-lhe: “Tenho aqui em casa uma menina, minha filha adoptiva que, há dois anos, está privada da vista. Se, como dizes, o teu Deus é um Deus de luz, invoca-o para que ela veja. Se isto acontecer, eu mesmo me curvarei diante de teu Deus”. Valentim impôs as mãos à menina e pronunciou as seguintes palavras: “Senhor Jesus Cristo, Deus verdadeiro e verdadeira luz, daí à vossa serva a luz dos olhos!” A oração do Sacerdote Valentim foi ouvida pelo Senhor… A menina recuperou a vista, imediatamente. Abriram-se também os olhos de Astério que se converteu a Jesus e, com ele, mais quarenta pessoas, que receberam o Baptismo das mãos de Valentim. Poucos dias depois, o Papa Calixto administrou-lhes o Sacramento da Confirmação. Astério, que tinha sob a sua guarda outros cristãos, deu-lhes a liberdade. O imperador Cláudio, tendo conhecimento da conversão de Astério, fê-lo comparecer perante o tribunal, juntamente com Valentim e todos os outros que tinham sido baptizados naquela ocasião. A ira do imperador voltou-se para Valentim, que foi castigado com o suplício da flagelação. Não conseguindo que Valentim renegasse Cristo e o seu Evangelho, condenou- o à morte. Valentim sofreu o martírio, ao fio da espada, no dia 14 de Fevereiro do ano 270. O seu corpo foi sepultado na via Flaminia e muitos milagres aconteceram por intercessão deste santo Mártir. O Papa Júlio I mandou construir, perto da Ponte Mílvio, em Roma – em italiano, Ponte Molle, uma Igreja dedicada a São Valentim. Esta igreja já não existe. A chamada ‘Porta del Popolo’, em Roma, tinha antigamente o nome de São Valentim. Antigamente, aí faziam- se solenes procissões em honra deste Santo, cujas relíquias se encontram nas Igrejas de Santa Praxedes e de São Sebastião. A memória litúrgica de São Valentim faz-se no dia 14 de Fevereiro, data da sua morte.