PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

segunda-feira, 15 de abril de 2013

PALAVRA DO SANTO PADRE FRANCISCO




 
- na Audiência geral de 10 de Abril – Praça de São Pedro

“…Hoje gostaria de reflectir sobre o significado salvífico da Ressurreição. O que significa para as nossas vidas a Ressurreição? E por que é que a nossa fé é vã sem ela? A nossa fé tem como fundamento a Morte e Ressurreição de Cristo, assim como uma casa se apoia nos seus alicerces: se desabarem os alicerces, toda a casa cai. Na cruz, Jesus ofereceu-se a si mesmo, tomando sobre si os nossos pecados e descendo ao abismo da morte e, na Ressurreição, venceu-os; tirou os nossos pecados e abriu-nos o caminho para renascer para uma vida nova. São Pedro di-lo, resumidamente, no começo da sua Primeira Carta, como já ouvimos: “Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, na sua grande misericórdia, nos gerou de novo - pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos - para uma esperança viva, para uma herança incorruptível, imaculada e indefectível” (1,3-4).
O Apóstolo diz-nos que, com a Ressurreição de Jesus, algo novo acontece: somos libertados da escravidão do pecado e tornamo-nos filhos de Deus; somos gerados para uma nova vida. Quando é que isso se realiza para nós? No sacramento do Baptismo. Antigamente, ele era recebido por imersão. Aquele que era baptizado descia a um grande tanque de água, no Baptistério, deixando as suas roupas, e o Bispo ou o sacerdote derramava-lhe, por três vezes, água sobre a cabeça, baptizando-o em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Depois o baptizado saia da água e vestia uma veste nova, uma túnica branca: ou seja, tinha nascido para uma vida nova, mergulhando na Morte e Ressurreição de Cristo. Tinha-se tornado filho de Deus. São Paulo, na Carta aos Romanos, escreveu: vós “recebestes um espírito de filhos adoptivos, pelo qual clamamos: Abba! Pai!” (Rm 8,15). É o Espírito que recebemos no baptismo que nos ensina, nos leva a dizer a Deus: "Pai", ou melhor, "Abba!", que significa "papá". Assim é o nosso Deus: é um papá para nós. O Espírito Santo realiza em nós esta nova condição de filhos de Deus. E isso é o maior dom que recebemos do Mistério Pascal de Jesus. E Deus trata-nos como filhos, compreende-nos, perdoa-nos, abraça-nos, ama-nos, mesmo quando cometemos erros. Já no Antigo Testamento, o profeta Isaías afirmava que mesmo que uma mãe se esquecesse do filho, Deus não se esqueceria jamais de nós, em nenhum momento (cf. 49:15). E isso é lindo!
No entanto, esta relação filial com Deus não é como um tesouro que conservamos num canto da nossa vida, mas deve crescer, deve ser alimentada, todos os dias, com a escuta da Palavra de Deus, a oração, a participação nos sacramentos, especialmente da Penitência e da Eucaristia, e a caridade. Nós podemos viver como filhos! E esta é a nossa dignidade: nós temos a dignidade dos filhos. Comportar-nos como verdadeiros filhos! Isso quer dizer que, em cada dia, devemos deixar que Cristo nos transforme e nos faça como Ele; quer dizer: procurar viver como cristãos, buscar segui-lo, mesmo que vejamos os nossos limites e as nossas fraquezas. A tentação de deixar Deus de lado para colocar-nos no centro está sempre às portas e a experiência do pecado fere a nossa vida cristã, o nosso ser filhos de Deus. Por isso, devemos ter a coragem da fé e não deixar-nos levar pela mentalidade que nos fala: “Deus não é necessário, não é importante para ti”, e assim por diante. É exactamente o contrário: só comportando-nos como filhos de Deus - sem desanimar por causa das nossas quedas, pelos nossos pecados – e sentindo-nos amados por Ele, a nossa vida será nova, animada pela serenidade e pela alegria. Deus é a nossa força! Deus é a nossa esperança!...”

 

PARA REZAR



SALMO 30
 
Eu Vos glorifico, Senhor, porque me salvastes
e não deixastes que de mim se regozijassem os inimigos.
Tirastes a minha alma da mansão dos mortos,
vivificastes-me para não descer à cova.

Cantai salmos ao Senhor, vós os seus fiéis,
e dai graças ao seu nome santo.
A sua ira dura apenas um momento
e a sua benevolência a vida inteira.

Ao cair da noite vêm as lágrimas
e ao amanhecer volta a alegria.

Ouvi, Senhor, e tende compaixão de mim,
Senhor, sede Vós o meu auxílio.
Vós convertestes em júbilo o meu pranto:
 Senhor, meu Deus, eu Vos louvarei eternamente.

SANTOS POPULARES



 
SÃO DAMIÃO DE VEUSTER  ( PADRE DAMIÃO, O APÓSTOLO DOS LEPROSOS)

Josef de Veuster-Wouters nasceu no dia 3 de Janeiro de 1840, numa pequena cidade ao norte de Bruxelas, na Bélgica. Aos dezanove anos de idade, entrou para a Ordem dos Padres do Sagrado Coração e tomou o nome de Damião. Em seguida, foi enviado para terminar os seus estudos num colégio teológico, em Paris. A vida de Damião começou a mudar quando completou vinte e um anos de idade. Um Bispo do Havai, arquipélago do Pacífico, passou por Paris, onde fez algumas palestras com o desejo de conseguir missionários para a sua diocese. Expôs os problemas daquela região, onde sobressaíam os referentes aos doentes de lepra, que eram exilados e abandonados numa ilha chamada Molokai, por determinação do governo. Damião interessou-se logo por esta questão e disponibilizou-se para ir como missionário para o Havai. Ainda não era sacerdote, mas estava disposto a insistir que o aceitassem na missão rumo a Molokai. Escreveu uma carta ao superior da Ordem do Sagrado Coração, que, inspirado por Deus, permitiu a sua partida. Assim, em 1863, Damião embarcou para o Havai, logo após ter sido ordenado sacerdote. Quando chegou ao arquipélago, Damião colocou-se a par da situação. A região recebera imigrantes chineses e, com eles, a lepra. Em 1865, temendo a disseminação da doença, o governo local decidiu isolar os doentes na ilha de Molokai. Nessa ilha, existia uma península cujo acesso era impossível, excepto pelo mar. Assim, aquela península, chamada Kalauapa, tornou-se a prisão dos leprosos. Damião foi para lá, juntamente com mais três missionários que iriam revezar-se nos cuidados com os leprosos. Os leprosos não tinham como trabalhar; roubavam-se entre si; matavam-se por um punhado de arroz. Damião sabia que ficaria ali para sempre, pois grande era o seu coração. Naquele lugar abandonado, o padre começou a trabalhar. O primeiro passo foi recuperar o cemitério e enterrar os mortos. Com frequência, ia à capital comprar ligaduras, remédios, lençóis e roupa para todos. Começou a escrever para o jornal local, contando os terrores da ilha de Molokai. Essas notícias espalharam-se por todo o mundo e abalaram as consciências e os corações de muita gente. De todo o lado, começou a chegar todo o tipo de ajuda humanitária. Um médico, que contraíra a lepra ao cuidar dos doentes, ouviu falar de Damião e viajou para Molokai, a fim de ajudar. No tempo que passou na ilha, Damião construiu uma igrejinha de alvenaria, onde passou a celebrar as missas. Construiu, também, um pequeno hospital, onde ele e o médico cuidavam dos doentes mais graves. Para que não faltasse água potável, construiu ainda dois aquedutos, completando a estrutura sanitária tão necessária à vida daquele povoado. Porém, a obra do Padre Damião foi muito além do empenhamento em cuidar da melhoria física do local. Padre Damião trouxe àquele lugar uma nova esperança e deu alívio aos doentes que, ali, eram abandonados. O Padre Damião era conhecido como o Apóstolo dos leprosos. Numa noite de 1885, inadvertidamente, Damião colocou o pé esquerdo numa bacia com água muito quente e não sentiu nenhuma dor. Percebeu, então, que tinha contraído a lepra. Havia dez anos que Padre Damião tinha chegado à ilha e, milagrosamente, não havia contraído a doença até então. Com o passar do tempo, a doença tomou-o por inteiro. O Padre Damião, o Apóstolo dos leprosos, morreu no dia 15 de Abril de 1889. Conta-se que, após a sua morte, o seu corpo, que estava cheio de feridas da lepra, apareceu limpo e sadio. Em 1936, os seus restos mortais foram transladados para a Bélgica, seu país de origem, onde foram sepultados com honras de Estado. 
O Padre Damião é conhecido e venerado em todo o mundo, especialmente pelos habitantes do arquipélago do Havai, por ter dedicado toda a sua vida ao cuidado dos leprosos de Molokai. Foi beatificado, em 1995, pelo Papa João Paulo II e canonizado, em 11 de Outubro de 2009, pelo Papa Bento XVI. Foi declarado patrono espiritual dos leprosos e dos marginalizados, incluindo os doentes de SIDA; é, também, o patrono do Estado do Havai. A sua festividade litúrgica é celebrada no dia 15 de Abril.