PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

domingo, 24 de fevereiro de 2013

ÚLTIMO “ANGELUS” DO PAPA BENTO XVI



Às 12h horas deste Domingo, 24 de Fevereiro, o Santo Padre Bento XVI presidiu à oração do seu último “Angelus” com os fiéis que se reuniram para rezar e agradecer o seu Ministério Apostólico, na aproximação da sua despedida. Antes da oração, o Papa dirigiu-se à multidão de féis que enchia, por completo, a Praça de São Pedro, em Roma:

“Queridos irmãos e irmãs!
No segundo domingo da Quaresma, a liturgia sempre nos apresenta o Evangelho da Transfiguração do Senhor. O evangelista Lucas coloca especial atenção no facto de que Jesus foi transfigurado enquanto orava. Esta sua oração é uma profunda experiência de relacionamento com o Pai vivida durante uma espécie de retiro espiritual, num alto monte, na companhia de Pedro, Tiago e João , os três discípulos sempre presentes nos momentos da manifestação divina do Mestre. O Senhor, que pouco antes havia predito a sua morte e ressurreição, oferece aos seus discípulos uma antecipação da sua glória. E também na Transfiguração - como no baptismo - ouvimos a voz do Pai Celeste: "Este é o meu filho; o meu eleito; escutai-o". A presença de Moisés e Elias, representando a Lei e os Profetas da Antiga Aliança, é muito significativa: toda a história da Aliança está focada Nele, o Cristo, que faz um novo "êxodo", não para a terra prometida, como no tempo de Moisés, mas para o céu. A ntervenção de Pedro: "Mestre, como é bom estarmos aqui" representa a tentativa impossível de parar esta experiência mística. Santo Agostinho diz: "[Pedro] ... no monte... tinha Cristo como alimento da alma. Por que deveria descer para voltar aos trabalhos e dores, enquanto lá em cima estava cheio de sentimentos de santo amor por Deus e que inspiravam-lhe uma santa conduta? " Meditando sobre esta passagem do Evangelho, podemos tirar um ensinamento muito importante. Primeiro, o primado da oração, sem a qual todo o trabalho do apostolado e da caridade é reduzido ao activismo. Na Quaresma, aprendemos a dar o justo tempo à oração, pessoal e comunitária, que dá fôlego à nossa vida espiritual. Além disso, a oração não é um isolar-se do mundo e das suas contradições, como Pedro quis fazer no Tabor, mas a oração traz- nos de volta para o caminho, para a acção. "A existência cristã – como escrevi na Mensagem para esta Quaresma – consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus, para depois descer trazendo o amor e a força que provém dele, a fim de servir os nossos irmãos e irmãs com o mesmo amor de Deus " Queridos irmãos e irmãs, sinto essa Palavra de Deus especialmente dirigida a mim, neste momento da minha vida. O Senhor chama-me para “subir ao monte”, para me dedicar ainda mais à oração e à meditação. Mas isto não significa abandonar a Igreja; pelo contrário, se Deus me pede isso é para que eu a possa continuar a servir com a mesma dedicação e o mesmo amor, como o fiz até hoje, mas de um modo mais adequado à minha idade e às minhas forças. Invoquemos a intercessão da Virgem Maria: que ela nos ajude a seguir, sempre, o Senhor Jesus, na oração e nas obras de caridade”.

Depois da oração do “Angelus” o Santo Padre dirigiu, aos peregrinos de língua portuguesa, as seguintes palavras:

“Queridos peregrinos de língua portuguesa que viestes rezar comigo o “Angelus”: obrigado pela vossa presença e por todas as manifestações de afecto e de solidariedade e, em particular, pelas orações com que me estais a acompanhar nestes dias. Que o bom Deus vos cumule de todas as bênçãos.”

RENÚNCIA DO PAPA BENTO XVI



Na próxima Quinta-Feira, dia 28 de Fevereiro, chega ao fim o pontificado de Bento XVI. Por razões de saúde e do peso da sua já frágil idade, Bento XVI renunciou ao mandato que lhe foi conferido pelo Espírito, na Igreja. O último gesto público do pontificado de Bento XVI será a saudação à população, na residência de Castel Gandolfo, nos arredores de Roma, na tarde deste dia. Bento XVI ficará a residir neste Palácio Apostólico - habitualmente usado pelo papa como residência de férias - até que esteja pronto o Mosteiro, dentro do Vaticano, que será o lugar do seu recolhimento. Bento XVI vai ser recebido em Castel Gandolfo pelo presidente e pelo secretário do governo do Estado da Cidade do Vaticano, respectivamente cardeal Giuseppe Bertello e D. Giuseppe Sciacca, assim como pelo presidente do Município e outras autoridades civis.
A saudação na varanda do palácio apostólico conclui este momento público, que antecede o final do pontificado, marcado para as 20h00 locais (19h00 de Portugal). Durante a Sede Vacante, cessam as suas funções o Secretário de Estado da Santa Sé, os Prefeitos, os Presidentes dos Dicastérios e todos os seus membros. O governo da Igreja ficará ao cuidado do Colégio dos Cardeais. O exercício deste governo faz-se, colegialmente, através de dois tipos de reunião dos cardeais: a “congregação geral”, em que todos participam; e a “congregação particular”, reservada a questões de menor importância, composta pelo cardeal camerlengo e mais três prelados, sorteados a cada três dias e de cada uma das ordens cardinalícias (diaconal, presbiteral e episcopal). Depois da efectivação da sua renúncia, Bento XVI continuará a poder ser chamado de “Santidade” mas terá o título de “Bispo Emérito de Roma”, já que o papa é o Bispo de Roma.

PALAVRAS DO PAPA



- na Homilia de 25 de Janeiro de 2013, memória da Conversão de São Paulo

“…Na sociedade contemporânea, parece que a mensagem cristã incide cada vez menos na vida pessoal e comunitária; e isto representa um desafio para todas as Igrejas e Comunidades eclesiais. A unidade é em si mesmo um instrumento privilegiado, como que um pressuposto para anunciar, de modo cada vez mais credível, a fé a quantos ainda não conhecem o Salvador ou que, embora tendo recebido o anúncio do Evangelho, quase esqueceram este dom inestimável. O escândalo da divisão que impedia a actividade missionária foi o impulso que depois deu início ao movimento ecuménico como hoje o conhecemos. Com efeito, a comunhão plena e visível entre os cristãos deve ser entendida como uma característica fundamental para um testemunho ainda mais claro. Então, enquanto nos encontramos a caminho da unidade plena, é necessário fomentar uma colaboração concreta entre os discípulos de Cristo em prol da causa da transmissão da fé ao mundo contemporâneo. Hoje, há grande necessidade de reconciliação, de diálogo e de compreensão recíproca, numa perspectiva não moralista, mas precisamente em nome da autenticidade cristã, para uma presença mais incisiva na realidade do nosso tempo… A nossa busca de unidade na verdade e no amor nunca deve perder de vista a percepção de que a unidade dos cristãos constitui uma obra e um dom do Espírito Santo, e vai muito além dos nossos esforços. Por conseguinte, o ecumenismo espiritual, especialmente a oração, é o coração do compromisso ecuménico (cf. Decreto Unitatis redintegratio, 8). Todavia, o ecumenismo não dará frutos duradouros, se não for acompanhado por gestos concretos de conversão que despertem as consciências e favoreçam a purificação das recordações e das relações. Como afirma o Decreto do Concílio Vaticano II sobre o ecumenismo, «não existe um ecumenismo verdadeiro sem a conversão interior». Uma conversão autêntica, como a que o profeta Miqueias sugere e da qual o apóstolo Paulo é um exemplo significativo, levar-nos-á para mais perto de Deus, do centro da nossa vida, de maneira a aproximar-nos, em maior medida, também uns dos outros. Trata-se de um elemento fundamental do nosso compromisso ecuménico. A renovação da vida interior do nosso coração e da nossa mente, que se reflecte na vida quotidiana, é crucial em cada diálogo e caminho de reconciliação, fazendo do ecumenismo um compromisso recíproco de compreensão, respeito e amor, «a fim de que o mundo creia» (Jo 17, 21)…”

 

PARA REZAR



SALMO 27

O Senhor é minha luz e salvação:
de quem terei medo?
O Senhor é o baluarte da minha vida:
quem me assustará?

Ouve, Senhor, a voz da minha súplica,
tem compaixão de mim e responde-me.
O meu coração murmura por ti,
os meus olhos te procuram;
é a tua face que eu procuro, Senhor.

Não desvies de mim o teu rosto,
nem afastes, com ira, o teu servo.
Tu és o meu amparo: não me rejeites nem abandones,
ó Deus, meu salvador!

Creio, firmemente, vir a contemplar
a bondade do Senhor, na terra dos vivos.
Confia no Senhor!
Sê forte e corajoso, e confia no Senhor!

SANTOS POPULARES



SANTA INÊS DA BOÉMIA

Inês (Anezka) era filha de Premysl Otocar I, um rei forte e ambicioso, e de Constância, da dinastia Arpad, da Hungria. Por parte do pai, Inês era descendente da famosa família dos Santos Ludmila e Venceslau. Santa Isabel da Hungria era sua prima; Santa Edviges foi sua tia-avó, e Santa Margarida da Hungria foi sua sobrinha. Inês nasceu, em 1202, na cidade de Praga, actual capital da Checa. Como era costume na época medieval, os casamentos eram tratados entre as famílias, garantindo alianças, interesses, poder. Ainda criança, Inês foi prometida em casamento a Henrique VII, rei da Silésia e da Alemanha. Com três anos de idade, foi enviada – juntamente com Ana, a sua irmã mais velha – para o Mosteiro de Trebnica, em Breslau, onde era monja a sua tia Edviges ( Santa Edviges ) que se tornou sua educadora. Aos seis anos, foi transferida para o Mosteiro de Doksany, onde aprendeu a escrever. O compromisso matrimonial com o filho do Imperador Frederico II, tirou Inês, aos oito anos, da tranquilidade do Mosteiro e transferiu-a para o ambiente mundano da Corte de Viena, onde deveria receber a educação digna de uma futura imperatriz. Mais tarde, com o seu noivado desfeito, por razões de desentendimentos políticos do seu pai, foi objecto de interesse de vários pretendentes nobres, e inclusive, do próprio Imperador Frederico II, que ficara viúvo. Porém, Inês havia já decidido consagrar a sua vida a Jesus Cristo e, com decisão e firmeza, não aceitou casar-se. Inês – que ouvira falar das novas formas de vida religiosa que estavam a surgir naquela época, em Itália, com São Francisco e Santa Clara de Assis - sentiu-se profundamente atraída pelo movimento franciscano. Às suas custas, a nobre princesa mandou construir uma igreja para os Frades Menores (franciscanos) e um hospital para os doentes pobres, onde ela mesma se dedicava a cuidar deles. As duas construções foram dedicadas a São Francisco. O hospital foi confiado aos Crucíferos da Estrela Vermelha, que depois se tornou numa ordem religiosa com a regra de santo Agostinho e que, segundo consta, ela teria ajudado nas fases iniciais; esta Ordem, por causa de conflitos políticos e sociais, foi extinta em meados do século XVII. Inês renunciou à administração direta do hospital para optar por uma vida de clausura e de pobreza absoluta. Em 1234 - com o desejo de que houvesse na sua cidade um convento de vida contemplativa, semelhante à experiência de Clara e das primeiras Clarissas de Assis - construiu, junto da Igreja de São Francisco, o Mosteiro das Damas Pobres de São Damião de Praga. Com cinco Clarissas provindas de Trento (Itália) e algumas jovens das famílias nobres da Boémia, Inês iniciou e organizou a vida religiosa deste Mosteiro: era a festa de Pentecostes de 1234. Inês, com trinta e dois anos, entrou neste mosteiro de clausura e aí viveu até ao fim da sua vida. Distribuiu todos os seus bens pelos pobres e conseguiu que o Papa Gregório IX aprovasse, para este Mosteiro, a mesma Regra que se vivia, naquela época, no Mosteiro das Clarissas de Assis. Foram tantas as jovens que se sentiram chamadas a viver este mesmo ideal que, em poucos anos, o número de Irmãs chegou à centena. Foi necessário construir um mosteiro maior para acolher todas as vocacionadas. Também noutros lugares da Boémia, Polónia, Morávia, o exemplo da ilustre princesa foi acolhido por muitas mulheres e se fizeram monjas e os mosteiros começaram a multiplicar-se. Inês foi a grande impulsionadora da Ordem de Santa Clara nos países checo eslovacos. Inês mandou construir, junto do Mosteiro das Damas Pobres, um mosteiro para os Frades Menores, com o objectivo de receber deles a assistência espiritual; isto fez realçar o sentido de pertença destas monjas ao movimento franciscano, que ela tanto amava. Como abadessa das Clarissas de Praga, foi muito activa e dinâmica na tarefa de implementar a autêntica vivência evangélica da pobreza, no espírito dos fundadores, Francisco e Clara. Manteve um constante contacto com a Santa Sé e obteve um bom número de documentos e de cartas papais, como resposta às solicitações que fazia. A escolha e a vivência da “Forma de Vida de Santa Clara” - baseada explicitamente na pobreza absoluta - foram, para Inês, uma luta de toda a vida. A maior parte das cartas e documentos estão relacionados com o problema crucial de manter vivo o ideal de vida pobre e recolhida, dedicada à contemplação, conforme as primeiras monjas de São Damião (clarissas de Assis). Inês exerceu uma notável obra pacificadora entre os membros da sua própria família e da comunidade religiosa à qual pertencia. Sugeria sempre soluções inspiradas nos princípios cristãos. Procurou também uma paz duradoura entre o rei da Boémia e a Cúria papal e, assim, pôde reerguer-se como baluarte de paz frente à política prepotente de outros reis. A sua vida foi sempre marcada por cruzes e sofrimentos. Grandes problemas e intrigas da corte, perseguições, guerras, mortes, abateram-se sobre o reinado do seu irmão Wenceslau e do seu sobrinho Otocar II. Inês foi sempre de uma fortaleza extraordinária e ajudou-os com a força da oração e da palavra confortadora. A sua velhice foi entristecida pela morte cruel do rei Otocar, no ano de 1278, que ela previra interiormente. Inês da Boémia morreu em 1282, depois de ter vivido com muita radicalidade a sua vocação e de ter consolidado fortemente a fundação de Praga, com o seu exemplo de doação e com as suas virtudes. Foi beatificada pelo Papa Pio IX, em 1874, e canonizada pelo Papa João Paulo II, em 12 de Novembro de 1989. A memória litúrgica de Santa Inês da Boémia faz-se no dia 2 de Março.